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sábado,
04 de Outubro de 2003.
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Os benefícios
do orgânico
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Vamos ver
o que os agricultores fazem para controlar o mato
e as pragas. E as contas do agricultor: afinal,
o arroz orgânico rende mais ou menos que o convencional?
Em janeiro, as chuvas de verão banham os cultivos
de arroz.
Quando o sol reaparece, dá para ver melhor como
estão as lavouras três meses após o plantio...
O arroz cresceu bem, mas com ele veio o mato.
Marcelo está intrigado com o que aconteceu numa
das quadras: cheia de tiririca. E o pior é que
ela fica bem na beira da estrada. À vista dos
vizinhos. Nessas horas, é difícil resistir à tentação
de...colocar herbicidas.
“Quem vê chama a gente de relaxado. Os vizinhos
pegam no meu pé, mas eu não vou tirar porque ela
é rala e não chega a dar prejuízo”, diz Marcelo.
Os agrônomos afirmam que essa tiririca não interfere
mesmo na produção. A preocupação maior é com outras
invasoras, como o capim arroz - que aparece quando
as quadras são drenadas e o solo fica seco.
Para controlar basta subir a lâmina d'água. Aliás,
o manejo orgânico das principais pragas do arroz
se faz da mesma forma:
“A gente lança mão do manejo fechado de água ou
aumentando ou baixando a lâmina de água conforme
a necessidade dependendo da incidência de cada
praga”, diz Guilherme Bressan.
Precisa ter um pouco de experiência e uma boa
assistência técnica para saber a hora certa de
baixar ou elevar a água. Até agora, os agricultores
vêm conseguindo bons resultados.
“Nessa área do orgânico nenhum ataque de praga
e na convencional eu tive o bicheiro da raiz e
bastante. Não só na minha lavoura, mas na dos
vizinhos da região. Quem não fez o tratamento
da semente teve um ataque violento. Isso acontece
por causa do desequilíbrio da natureza. Acabamos
com os inimigos naturais da plantação”, diz Marcelo.
Para diminuir as pragas, Angelo Topanote está
fazendo um controle pra lá de natural: o consórcio
de arroz com marreco de pequim.
“Tudo que se mexe o marreco come: o adulto da
bicheira da raiz, o percevejo do grão, a noivinha
branca do arroz”, diz Guilherme.
Para não comer as sementes, os marrequinhos jovens
só vão para quadra um mês após o plantio e devem
ser retirados quando as plantas começam a cachear.
“Coloquei 50 marrecos na minha área e eles dão
conta de tudo porque passeiam por todo lugar e
passam de uma cancha para outra”, diz Ângelo.
No mês de abril, as colheitadeiras trabalham a
todo vapor. Marcelo está colhendo aquela quadra
onde fez consórcio de arroz com peixe.
Ficou impressionado com a lavoura. As plantas
cresceram tanto que ele teve problemas de tombamento.
Como dizem os técnicos, parte do arroz acamou:
“Dá uma perda de mais ou menos 30%”, diz Marcelo.
Marcelo é produtor de arroz agulhinha, e colheu,
em média, 140 sacas de 50 quilos por hectare.
Nas áreas convencionais, tirou até mais: 160 sacas.
“Para produzir um hectare de arroz convencional
gastei 70 sacos de arroz e no orgânico foi em
torno de 30 sacos”, diz Marcelo.
Vamos entender melhor as contas do Marcelo: ele
produziu por hectare 160 sacas de arroz, no sistema
convencional. No orgânico, 140. O custo no convencional,
correspondeu a 70 sacas. No orgânico, 30. Para
chegar ao lucro por hectare basta subtrair: sobram
90 sacas no convencional e 110 no cultivo orgânico.
“Hoje, as empresas na nossa região estão pagando
em torno de 10% no arroz orgânico. Sobrou em torno
de R$800,00 a mais comparado com o convencional”,
diz Marcelo.
Várias empresas da região compram a produção.
Uma delas é a Copersulca, que montou uma estrutura
especial para o recebimento e beneficiamento de
arroz orgânico.
“Tem mercado par o arroz orgânico no nosso próprio
Estado, no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e
vários outros Estados”, diz Flávio Marcon, presidente
da Copersulca.
Aqui se prepara o arroz parbolizado, que passa
por uma espécie de pré-cozimento. A cooperativa
montou, também, um frigorífico que compra e processa
o peixe produzido junto com o arroz. É uma forma
de proporcionar um ganho extra aos associados.
“Para o produtor o peixe está de R$1,20 a R$1,30
dependendo do rendimento da carcaça”, diz Ademar
Costa, diretor do frigorífico.
Vamos acompanhar, agora, a colheita no sítio do
seu Ângelo. Ele cultiva a variedade cateto, indicada
para a produção de arroz integral. Na safra passada,
seu Ângelo colheu 85 sacas por hectare. Este ano,
a produtividade caiu:
“Deu 70 sacas por hectare. Queria que desse mais”,
diz Ângelo.
Quem dá assistência técnica é Rogério Topanote,
agronômo da Epagri - empresa do governo que faz
pesquisas e orienta os agricultores de Santa Catarina.
Rogério, que é irmão do seu Ângelo, explica porque
a produtividade caiu:
“Foi a falta de adubação, mas acredito que o fator
principal foi a densidade de semeadura. Em função
de pouca semente a densidade ficou um pouco baixa”,
acredita Rogério.
Apesar da colheita menor, dona Deni comemora.
Este ano, a família está conseguindo realizar
um sonho antigo: a construção da casa nova. Bem
maior e melhor que a velha.
“Será uma casa com quatro dormitórios e as demais
dependências maiores do que eu tenho na outra
casa. Isso é resultado do arroz orgânico. Há dois
anos atrás não tínhamos nada. Inclusive compramos
trator novo”, diz Deni.
Os agricultores que você viu na reportagem estão
começando agora o plantio da nova safra de arroz
orgânico. A gente deseja que eles continuem melhorando
de vida e ajudando a preservar o meio ambiente.
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