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DC - ECONOMIA/02
04/08/2000


ECONOMIA
DIÁRIO CATARINENSE


AGRICULTURA
Arrozeiro ganha selo orgânico

Propriedades ligadas a Coopersulca recebem destaque de boa qualidade

CRISTIANO RIGO DALCIM
TURVO

As propriedades de 12 rizicultores pertencentes à Cooperativa Regional Agropecuária do Sul Catarinense (Coopersulca), em Turvo, Sul do Estado, receberam ontem pela manha o selo de certificação de produção orgânica da Associação Orgânica, com sede em Santa Catarina. O certificado garante uma agregação de valor de 10% a 15% sobre o preço comercial do produto. De acordo com o presidente da Coopersulca, Flávio Marcon, o arroz ecológico Fazenda começa a ser comercializado a partir de 15 de agosto, de Santa Catarina ao Pará.

O desenvolvimento de lavouras orgânicas de arroz consiste na exclusão de agrotóxicos e adubos químicos ou sintéticos solúveis nas práticas agrícolas. De acordo com o engenheiro agrônomo Caio de Teves Inácio, da Associação Orgânica, as lavouras dos produtores de Turvo precisaram se adequarás normas da Instrução Normativa 07/99, expedida pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento, para receber o certificado. A instrução normativa é baseada na legislação da Federação Internacional da Agricultura.

Esse é o terceiro ano de colheita da produção orgânica em Turvo. Em 1998, os produtores colheram três mil sacos de 50 quilos. No ano passado, a safra orgânica subiu para oito mil sacos. Agora, em 2000, foram colhidos 15 mil sacos (750 toneladas) em 170 hectares, divididas nas espécies integral e parabolizado. "O nosso problema sempre foi a quantidade, mas este ano nós conseguimos dar o primeiro passo", explica o engenheiro agrônomo Herlon Mota, gerente de compras da Coopersulca. Para realizar trabalho de conscientização dos produtores, a Coopersulca contratou técnicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O acompanhamento das lavouras levou em conta desde a escolha do solo, o aproveitamento de área com mananciais de água potável, passando pelo plantio, desenvolvimento, colheita e resultado final. A orientação foi fornecida pela cooperativa de forma gratuita aos produtores. O engenheiro agrônomo Caio de Teves Inácio salienta que o selo conquistado pelos produtores de Turvo é de transição, válido por 12 meses, e precisa ser renovado todo o ano. As propriedades receberão o certificado final de "propriedade orgânica" após três anos de produção sem utilização de adubos químicos. Os produtores estio festejando o acontecido, já que no futuro o mercado mundial vai preferir os
orgânicos


RESULTADO DO PROJETO

                Das 17 propriedades que iniciaram o projeto, sobraram 12. De acordo com o presidente da Coopersulca, Flávio Marcon, a eliminação de cinco lavouras se deve ao rigor das recomendações dos técnicos da UFSC. Se uma lavoura vizinha utilizasse adubo químico, a produção orgânica ao lado era desconsiderada.

                A técnica de rizipiscicultura abrangeu 22,8% da área de produção orgânica e obteve o maior índice de produtividade com 127,5 sacos por hectare

                A técnica normal de plantio nas áreas irrigadas predominam em 77,2% da área de produção orgânica, mas obteve a produtividade 87,4 sacas por hectare

                Implantada há 12 anos na região, a rizipiscicultura também inclui a produção de peixes das espécies Tilápia e Carpa Capim, que se alimentam das ervas daninhas e insetos ou pragas, combatendo os principais inimigos das lavouras. Os peixes também trabalham o material orgânico da área revolvendo o solo e fornecendo adubo natural através das fezes.

Produtor é um pioneiro na região

Há dois anos, o rizicultor Ildo Scarabeloti, 46 anos, foi um dos pioneiros da produção orgânica na região. O resultado deste este ano e a certificação obtida ontem convenceram o produtor a aderir definitivamente à produção de arroz sem utilização de adubos químicos. "Agora estamos fazendo direto, porque tínhamos uma área muito inçada", afirma, para explicar que suas lavouras sorriam com o ataque de ervas daninhas. "A área fica alagada o ano inteiro e as ervas daninhas acabam sumindo" justifica. Este ano, sete hectares de uma área total de 15 hectares da propriedade foram utilizadas para produzir arroz de forma orgânica, com auxílio da piscicultura.
A produtividade alcançou 140 sacos por hectare, uma das maiores entre as 12 propriedades certificadas. Alguns aguapés ainda insistem em se proliferar em áreas irrigadas da propriedade, mas Ildo afirma que o problema é uma questão de tempo para ser resolvido. "A carpa capim come tudo isso, e os aguapés desaparecem", explica o produtor que se prepara para plantar a segunda safra no próximo mês. Ildo prevê que daqui há cinco anos toda a propriedade será dominada pela produção orgânica. "Só não faço antes porque não temos financiamento para isso", explica. Os produtores estão contando com a tomada de apoio do governo a tudo que envolve desenvolvimento sustentado. Essa é uma palavra de ordem no mercado internacional. O que vai valer serão os produtos que não destruam o meio ambiente, como os que não usam agrotóxicos.

     
 
 
  

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