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nova NBR 6118 e a durabilidade das estruturas
Assunto
Neste artigo os professores S�lvia Santos,
Andr� Sagave e Luiz Duarte discorrem sobre as principais modifica��es
contidas na recente publica��o da Norma NBR 6118:2003 no que
se refere a quest�o da Durabilidade
das estruturas. O novo texto da norma introduziu novos conceitos
ao projeto das estruturas quando comparado ao texto da NBR
6118:1978 como, por exemplo, o conceito de Classe de Agressividade
do Ambiente (CAA), que interfere no valor da Classe
do concreto e do cobrimento das armaduras. As discuss�es apresentadas
no artigo pretendem auxiliar os profissionais na interpreta��o
do novo texto, neste per�odo de transi��o at� sua entrada
em vigor, em mar�o de 2004.
Artigo
Com a entrada em vigor da nova NBR 6118:2003,
o c�lculo, o dimensionamento e a constru��o de estruturas
de concreto no Brasil passam a ser encarados sob um outro
prisma. Novos conceitos de exig�ncias de dimensionamento e
qualidade provocar�o importantes transforma��es na ind�stria
da constru��o.
Com a defini��o de vida �til e durabilidade
das estruturas j� estabelecidas na fase do projeto, a especifica��o
de concretos com caracter�sticas de resist�ncia e de durabilidade
superiores �s normalmente praticadas no Pa�s, implicar�o em
m�o-de-obra melhor qualificada, projetos racionalizados e
compatibilizados, al�m de processos executivos claros e bem
controlados.
O enfoque do novo texto demonstra a necessidade
de maior crit�rio do projetista de estruturas na especifica��o
dos itens relacionados �s quest�es de durabilidade, como drenagem,
formas arquitet�nicas, qualidade do concreto de cobrimento,
detalhamento das armaduras, controle da fissura��o e deslocamentos,
medidas especiais e inspe��o e manuten��o preventiva. Isso
n�o apenas busca a durabilidade dos elementos
estruturais, mas tamb�m contribui para a durabilidade
global dos demais elementos do sistema construtivo, como alvenaria
e revestimento, por exemplo.
Principais
mudan�as relacionadas � durabilidade
A nova NBR-6118:2003 traz procedimentos
que contribuir�o com a garantia da qualidade das estruturas
de concreto, sobretudo no que diz respeito � sua durabilidade.
A introdu��o de classes de agressividade do ambiente � uma
das inova��es apresentadas no novo texto. Esta classifica��o
est� relacionada �s a��es f�sicas e qu�micas que atuam sobre
as estruturas de concreto, independente das a��es mec�nicas,
das varia��es volum�tricas de origem t�rmica, da retra��o
hidr�ulica e outras previstas no dimensionamento das estruturas
de concreto. A tabela 1 apresenta uma forma simplificada de
avaliar a agressividade em fun��o das condi��es de exposi��o
da estrutura ou de suas partes.
A defini��o desta classe de agressividade ambiental (CAA)
� fundamental na concep��o do projeto estrutural, pois influenciar�
nos valores m�nimos de resist�ncias caracter�sticas que devem
ser respeitados, no valor m�nimo do cobrimento de armadura
e na m�xima abertura de fissura permitida.
Observa-se que a norma define as classes
atrav�s do tipo de ambiente em que ser� constru�da a edifica��o
(ver tabela 1). Por exemplo, �reas urbanas s�o consideradas
CAA II, o que corresponde a uma agressividade moderada e pequeno
risco de deteriora��o.
Entretanto, para praticamente todas as CAA
(exceto CAA IV � respingos de mar�) a norma permite que se
admita uma classe de agressividade um n�vel mais brando quando
se tratar de ambientes internos secos revestidos com argamassa.
No caso de ambientes urbanos e industriais, uma redu��o em
um n�vel na CAA tamb�m pode ser justificada se a regi�o apresentar
clima seco.
Nas especifica��es para o dimensionamento
dos elementos estruturais, cabe destacar os requisitos relativos
� rela��o �gua/cimento e resist�ncia caracter�stica m�nima
(fck). A nova norma estabelece crit�rios de qualidade m�nimos
para o fck e a rela��o �gua/cimento, A/C, do concreto utilizado
em obra, levando-se em conta as condi��es de exposi��o dos
elementos da estrutura de concreto �s intemp�ries. Isto �
uma novidade em rela��o � antiga NBR-6118:1978. A tabela 2
apresenta as rela��es A/C m�ximas admiss�veis e o fck m�nimo
exigido (classe do concreto) para o concreto em fun��o da
agressividade do ambiente e do tipo de armadura (armadura
passiva � CA e armadura ativa � CP)
Ao associar a durabilidade das estruturas ao material concreto,
a nova norma tamb�m prev� o uso de cimentos especiais, capazes
de resistir por mais tempo ao ataque do meio ambiente. Para
Rigo da Silva et al. (1999), a ado��o de um fator �gua/cimento
(A/C) m�ximo, como um n�mero fechado, pode n�o refletir uma
verdade absoluta, dada � diversidade de casos em que
fen�menos ligados � deteriora��o do concreto armado n�o se
explicam ou n�o se justificam apenas com a ado��o desse par�metro.
Diante disso, a NBR-6118:2003 abre a possibilidade da flexibiliza��o
desses fatores A/C limites, mediante comprova��o experimental.
Isto permitir� ao meio t�cnico nacional uma maior motiva��o
para a pesquisa na �rea de durabilidade das constru��es, envolvendo
diversos seguimentos da Engenharia Civil e dos materiais,
o que contribuir� para o desenvolvimento tecnol�gico da Engenharia
no Brasil (VIEIRA et.al., 1996).
Valores diferentes dos apresentados na tabela
2 poder�o ser adotados mediante ensaios comprobat�rios do
desempenho da durabilidade da estrutura, frente ao tipo e
n�vel de agressividade prevista em projeto.
Tamb�m cabe destacar que, em fun��o da classe
de agressividade, a norma fixa um valor m�nimo de fck a ser
adotado tanto para concreto armado, como para concreto protendido.
Quando se trata de concreto armado, o caso menos agressivo
(classe de agressividade I), exige o valor m�nimo de 20MPa
podendo chegar ao m�nimo de 40MPa, para agressividade IV.
Para concreto protendido, este limites passam a ser 25 e 40
MPa respectivamente. A classe C15
pode ser usada apenas em funda��es, conforme NBR 6122, e em
obras provis�rias.
Outra medida ligada � durabilidade diz respeito
ao cobrimento das armaduras, definido tamb�m em fun��o das
condi��es de exposi��o da estrutura. Ao indicar cobrimentos
m�nimos maiores do que os previstos na vers�o anterior da
norma (NBR 6118:1978), a NBR-6118:2003 pressup�e que deve
ser oferecida �s armaduras uma prote��o complementar, desde
que sejam garantidas tamb�m a qualidade da concretagem, a
distribui��o equilibrada da armadura na estrutura e a execu��o
desse cobrimento (RIGO DA SILVA et. al,
2001). A tabela 3 apresenta as exig�ncias com rela��o ao cobrimento
nominal (cobrimento m�nimo + toler�ncia de execu��o) em fun��o
da classe de agressividade ambiental.
Para interpreta��o da tabela 3 e escolha dos valores m�nimos
de cobrimento exige-se, al�m de uma defini��o criteriosa da
CAA, a an�lise correta de todas as alternativas existentes.
O primeiro detalhe ao qual deve-se estar
atento refere-se ao fato de que na tabela 3 est�o relacionados
os cobrimentos nominais, j� acrescidos de uma toler�ncia de
execu��o (Dc). Segundo a NBR 6118:2003, nas obras correntes o valor de Dc deve ser maior ou igual a 10mm. Por�m, permite-se
reduzir a toler�ncia de execu��o para Dc=5mm
quando houver um adequado controle de qualidade, r�gidos limites
de toler�ncia durante a execu��o e estiver expl�cito, nos
desenhos do projeto, esta exig�ncia de controle rigoroso.
Assim, nestes casos permite-se a redu��o em 5mm dos cobrimentos
da tabela 3.
Outra considera��o importante � que esta
nova norma permite a ado��o de valores de cobrimento menores
(15mm) para faces superiores de lajes e vigas quando estas
estiverem revestidas com contrapiso e revestimentos secos.
Especificado o valor do cobrimento nominal a ser respeitado
no projeto, deve-se garantir que a dimens�o m�xima do agregado
gra�do utilizado no concreto n�o supere em 20% a espessura
nominal do cobrimento  e ainda, em nenhuma
situa��o, o cobrimento nominal poder� ser menor que o di�metro
da barra  .
Destaca-se o fato de n�o ser mais recomendado um valor espec�fico
de cobrimento nominal para casos de pe�as em contato com o
solo, como constava na vers�o anterior da norma.
Tamb�m diretamente relacionado com a quest�o da durabilidade,
outro item que sofreu altera��o na nova NBR 6118 � o estado
limite de servi�o de abertura de fissuras (ELS-W).
Segundo a NBR 6118:2003, o controle da fissura��o pode ser
realizado por meio da limita��o da abertura estimada de fissura
ou, simplificadamente, apenas atrav�s do c�lculo da tens�o
de servi�o e verifica��o de di�metros e espa�amentos m�ximos.
O c�lculo da abertura de fissura � feito de forma estimada
e emprega express�es bastante semelhantes �quelas da norma
antiga (NBR6118:1978). As maiores modifica��es foram no que se refere
aos valores m�ximos admiss�veis para abertura de fissuras
(wk), conforme ilustra a tabela 4.
Neste aspecto, a norma apresenta valores menos conservadores
para o concreto armado que a vers�o anterior,
que prescrevia abertura m�xima de fissura de 0,1mm
para pe�as n�o protegidas em meio agressivo; 0,2mm para pe�as
n�o protegidas em meio n�o agressivo e 0,3mm para pe�as protegidas.
Observa-se (tabela 4) que agora � permitido abertura de 0,4mm
para casos de pequena agressividade e de 0,2mm em ambientes
extremamente agressivos.
Para dispensar a verifica��o destes valores de abertura de
fissura, a nova norma apresenta a tabela 5, que relaciona
a tens�o na armadura (determinada considerando-se est�dio
II e combina��o freq�ente) com valores limites de di�metro
e espa�amento entre as barras.
C
om rela��o � durabilidade dos elementos n�o-estruturais da
edifica��o, a norma atual especifica diferentes categorias
para determina��o de deslocamentos admiss�veis em vigas e
lajes (tabela 6). Assim, existem limites espec�ficos para
casos de efeitos em elementos n�o-estruturais, como alvenaria,
caixilhos, etc.
TABELA 6 - Limites para deslocamentos
Considerando-se o crit�rio de aceitabilidade sensorial (limita��o
devido ao efeito visual desagrad�vel) o limite que anteriormente
era de L/300 passa a ser menos conservador, admitindo o valor
de L/250. Entretanto, agora existe um valor espec�fico
para casos em que possam existir danos �s paredes, caixilhos
e revestimentos. Neste caso, a flecha admiss�vel passa a ter
o limite de L/500, respeitando-se o valor m�ximo de 10mm e
uma rota��o do elemento estrutural n�o superior a 0,0017 rad.
Vale destacar que, segundo a nova NBR 6118, n�o � poss�vel
determinar uma altura m�nima para a pe�a que permita dispensar
a verifica��o da flecha, como era prescrito anteriormente.
A partir de agora, sempre se deve verificar a flecha em vigas
e lajes.
Considera��es Finais
Os coment�rios feitos aqui dizem respeito a apenas algumas
modifica��es, especialmente em rela��o � durabilidade, que
constam no texto da nova NBR 6118:2003, que estar� em vigor
a partir de mar�o de 2004.
A inclus�o da tabela para sele��o da agressividade do meio,
onde a estrutura est� inserida, pode ser considerado um avan�o
sob o ponto de vista da durabilidade. Contudo, n�o h� um valor
determin�stico para a agressividade. Desta forma, enquadrar
a obra �s situa��es ali apresentadas depender� do dom�nio
do projetista em rela��o � norma e de seu bom senso.
Com o intuito de chamar a aten��o do leitor, foram apresentadas
mudan�as de limites admiss�veis para casos de fissura��o e
flechas. Entretanto, o processo de c�lculo desses e de outros
itens tamb�m sofreu mudan�as, o que vai exigir do projetista
e daqueles que far�o uso da norma um estudo criterioso para
adapta��o de seus processos de c�lculo.
Prof� Silvia Santos - Universidade do
Vale do Itaja�
Prof� Andr� Matte Sagave - Universidade
do Vale do Itaja�
Prof� Luiz Alberto Duarte Filho -
Universidade do Vale do Itaja�
Fonte:
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