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Revista AU

Cuidados especiais


A escolha de materiais de revestimento para �reas internas de hospitais segue regras que visam garantir a assepsia e a f�cil manuten��o dos ambientes
Cer�mica antiderrapante � indicada para �reas molhadas, cozinhas e refeit�rios, como este do Hospital Albert Einstein, em S�o Paulo
Ao especificar materiais de revestimento para �reas hospitalares, al�m de facilitar manuten��o e higiene, o arquite-to deve levar em conta o fator flexibilidade, posto que mudan�as s�o constantes ao longo da vida �til do edif�cio. Hospitais cont�m �reas cr�ticas, semicr�ticas e n�o-cr�ticas. Nas duas primeiras, o controle deve ser muito rigoroso e a escolha dos revestimentos tem que ser precisa. A norma RDC 50, da Associa��o Nacional de Vigil�ncia Sanit�ria (Anvisa), � a mais recente do setor.

Segundo Ronald de G�es, arquiteto e palestrante do curso Arquitetura e constru��o hospitalar, promovido pela Pini, a especifica��o dos revestimentos deve considerar quest�es est�ticas, ac�sticas, de durabilidade e custos, al�m de levar em conta a possibilidade de reposi��o, em caso de reformas e amplia��es, e a forma de limpeza do material � este, um item de grande import�ncia.

Quanto ao risco de infec��o, os diferentes ambientes podem ser classificados como �reas cr�ticas ou de alto risco. S�o de alto risco os locais onde se realizam procedimentos arriscados, ou que acomodam pacientes imunodeprimidos, isto �, cujo sistema imunol�gico est� prejudicado por alguma doen�a ou tratamento. �reas semicr�ticas s�o aquelas ocupadas por pacientes com doen�as infecciosas de baixo risco de transmiss�o e doen�as n�o-infecciosas. S�o consideradas como n�o-cr�ticas as �reas que n�o recebem pacientes e onde n�o se realizam procedimentos de risco.

A arquiteta Daisy Figueira, da equipe de engenharia e arquitetura do Hospital das Cl�nicas, de S�o Paulo, diz que os materiais de revestimento devem ser especificados de acordo com esta classifica��o. Para as �reas cr�ticas e semicr�ticas a melhor op��o s�o os materiais que tornam as superf�cies lisas, monol�ticas e com o menor n�mero poss�vel de ranhuras ou frestas, priorizando materiais que absorvam pouca ou nenhuma �gua para evitar a prolifera��o de microorganismos.
Piso vin�lico permite pagina��o variada, absorve ru�dos e tem f�cil
manuten��o

Cer�mica sim, juntas n�o
Se aplicada nessas �reas, a cer�mica deve possuir �ndice de absor��o de �gua inferior a 4%. � importante que o material de rejunte tamb�m tenha absor��o at� 4%. H� hoje no mercado rejuntes com ep�xi na composi��o, com baixo n�vel de absor��o. O porcelanato � um material adequado para esta finalidade, por�m com custo alto e superf�cie muito lisa. Existe o porcelanato antiderrapante, mas a limpeza desse material � mais dif�cil.

Deve-se sempre evitar juntas para garantir assepsia e diminuir a trepida��o de macas, cadeiras de rodas e carrinhos. Caso seja inevit�vel, entretanto, a junta deve ser o mais estreita poss�vel. Ronald de G�es frisa que � expressamente proibido o uso de cimento, em especial do branco, na composi��o do rejunte de pe�as cer�micas, a n�o ser que seja empregado algum aditivo antiabsorvente, tanto nas paredes como nos pisos, embora o ideal seja usar rejuntes industrializados, com ep�xi na composi��o.

Em ambientes de maior perman�ncia, como apartamentos, enfermaria e UTI, G�es recomenda os pisos em manta ou placas vin�licas que, al�m de absorverem os ru�dos, s�o mais quentes e permitem cores e pagina��es variadas. Granitos e granilite n�o s�o indicados para essas �reas, mas podem ser utilizados em sagu�es e circula��es principais. Os laminados s�o bastante usados tamb�m, mas exigem maior cuidado na limpeza.

Para os banheiros e cozinha, as arquitetas Daisy Figueira e Noemi Inoue, do Hospital das Cl�nicas, recomendam o piso cer�mico antiderrapante. Na cozinha, por exemplo, os revestimentos devem resistir ao ataque de �cidos, como l�quidos c�tricos, que podem corroer o revestimento e o rejunte.
�reas cir�rgicas devem ter forro liso e estanque

Quando e onde
Os pisos condutivos precisam estar presentes em salas cir�rgicas, de parto e hemodin�mica. Visam eliminar ou reduzir as cargas eletrost�ticas em ambientes com ar-condicionado. Ronald de G�es explica que a baixa taxa de umidade desses ambientes, em conjunto com a utiliza��o de anest�sicos e produtos qu�micos de limpeza, podem gerar descargas eletrost�ticas e provocar choque el�trico nos pacientes. O ac�mulo de carga eletrost�tica � eliminado no piso e com o aterramento dos equipamentos. Algumas mantas vin�licas ou � base de lin�leo garantem o isolamento.

O engenheiro Mauricio Bianchi, da construtora BKO e vice-presidente da AACD (Associa��o de Assist�ncia � Crian�a Deficiente), afirma que a escolha de materiais tamb�m pode variar dependendo do tipo de hospital. �No hospital da AACD precisamos de pisos que n�o marquem com o constante tr�nsito de muletas e cadeiras de rodas�, explica.

O forro de ambientes hospitalares deve ser liso em �reas cr�ticas e semicr�ticas, sem al�ap�es para manuten��o ou placas remov�veis. O ideal � o gesso acartonado liso, para garantir a assepsia. Se acima dos ambientes mais cr�ticos for necess�ria a manuten��o de fios e dutos, a melhor sa�da � criar um piso t�cnico. Nesse caso, as lumin�rias podem ser embutidas na pr�pria laje do piso t�cnico, que receber� revestimento liso. Nos demais ambientes, o forro remov�vel � uma boa op��o por facilitar a manuten��o. Dispon�veis em v�rios materiais, as placas devem ser resistentes aos processos de limpeza e manuseio.

O engenheiro Maur�cio Bianchi explica que nos apartamentos o forro precisa ser estanque, resistente � press�o positiva do ar-condicionado. �Quando � dada carga no ar-condicionado, � criada uma press�o no ambiente. Se o forro n�o for resistente ele sobe. Num hospital isso n�o pode acontecer, os forros precisam ser fixados � estrutura�, explica.
No Hospital da AACD, em S�o Paulo, prevalece a melhor rela��o custo x benef�cio: manta vin�lica, parede melam�nica e forro remov�vel nos quartos
<i>O piso de granito funciona bem no setor de Ortopedia do Hospital da AACD,onde � grande o tr�fego de cadeiras de rodas e muletas</i>
O piso de granito funciona bem no setor de Ortopedia do Hospital da AACD,onde � grande o tr�fego de cadeiras de rodas e muletas

Flexibilidade
Ronald de G�es ressalta que o cuidado com o forro � muito importante, porque o paciente fica grande parte do tempo deitado e seu plano de refer�ncia � o teto. Por isso, recomenda aten��o � composi��o do acabamento, evitando-se formatos e cores mon�tonas.

Hoje em dia, as tintas de alta resist�ncia � base de PVC, ep�xi e poliuretano s�o boas op��es para acabamento das paredes, teto e piso de ambientes cr�ticos, desde que sejam resistentes �s lavagens e ao uso de desinfetantes. Ainda nas paredes, tamb�m s�o utilizados os laminados melam�nicos. Por�m, a aplica��o desse material exige m�o-de-obra de �tima qualidade para evitar o surgimento de bolhas e fungos.

Daisy Figueira afirma que o uso de divis�rias n�o � permitido em �reas cr�ticas. A arquiteta sugere o gesso acartonado com acabamento monol�tico, livre de perfis estruturais aparentes. Ronald de G�es ressalta a flexibilidade do sistema, caracter�stica de peso consider�vel em hospitais.

Imprescind�veis nas �reas de circula��o de macas, carrinhos e camas, o bate-macas e a prote��o de quinas evitam o impacto direto desses equipamentos nas paredes. O bate-macas tem tamb�m a fun��o de corrim�o para pessoas com dificuldade de locomo��o.
<i>Revestimento melam�nico pode ser aplicado em pisos e paredes de quartos</i>
Revestimento melam�nico pode ser aplicado em pisos e paredes de quartos

�reas cr�ticas
O m�dico e arquiteto Domingos Fiorentini, do escrit�rio Karman Arquitetura de Hospitais, afirma que as exig�ncias das normas da Anvisa s� podem ser quebradas quando houver embasamento t�cnico, com laudo por escrito que justifique, por exemplo, que em determinada �rea cr�tica � necess�ria a utiliza��o de forro remov�vel. Fiorentini tamb�m n�o aconselha o uso de qualquer revestimento brilhante, pois considera esteticamente agressivo � vis�o. �Alguns acham que a superf�cie brilhante � mais f�cil de limpar que a fosca, mas isso n�o � verdade�, diz.

Domingos Fiorentini recomenda que o rodap� seja chanfrado ou boleado e tenha 10 cm ou mais de altura para proteger a pintura das paredes. O m�dico e arquiteto tamb�m diz que o material utilizado para o rodap� deve ser sempre o mesmo que reveste o piso.

Outra recomenda��o de Fiorentini diz respeito � utiliza��o de cada �rea do hospital. �Se o ambiente for de uso provis�rio, deve-se evitar materiais caros, visto que poder�o ser trocados em pouco tempo. No caso de �reas mais perenes, os revestimentos devem ser mais resistentes ao tempo e de f�cil manuten��o, como o granito, que pode ser colocado inclusive em �reas cr�ticas�, explica. Fiorentini desaconselha, contudo, o granito para corredores e demais �reas de circula��o devido ao desconforto ac�stico. �Nos corredores n�o � aconchegante, principalmente se pensarmos em barulhos de saltos e a queda de bandejas e instrumentos. Nesta �rea o vinil ou borracha s�o revestimentos mais recomendados�, diz.

As diretrizes para especifica��o de outros itens como rodap�s, barras de apoio nos boxes de banheiro, bancadas, lavat�rios, portas e ma�anetas podem ser encontradas na norma RDC-50 da Anvisa e na NBR 9050 da Associa��o Brasileira de Normas T�cnicas (ABNT).
<i>Bate-macas tamb�m servem de apoio para pessoas com dificuldade de locomo��o e podem ser de v�rios materiais. No Instituto da Crian�a, em S�o Paulo, s�o de madeira com cobertura melam�nica</i>
Bate-macas tamb�m servem de apoio para pessoas com dificuldade de locomo��o e podem ser de v�rios materiais. No Instituto da Crian�a, em S�o Paulo, s�o de madeira com cobertura melam�nica
AU leituras
Da cor � cor inexistente � Ismael Pedrosa, Leo Christiano Editorial
Associa��o Brasileira para o Desenvolvimento do Edif�cio Hospitalar � www.abdeh.com.br
Ag�ncia Nacional de Vigil�ncia Sanit�ria (Resolu��o RDC 50) � www.anvisa.gov.br
Associa��o Brasileira de Normas T�cnicas (NBR 9050) - www.abnt.org.br




Texto origininal de V�nia Silva





 
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