Os insumos orgânicos auxiliam no controle do aquecimento global de duas maneiras: no processo de produção desses insumos e no uso deles. A matéria-prima do insumo orgânico (fertilizante ou composto orgânico) é o esterco animal, por exemplo, esterco de suínos, ou restos de alimentos.
Para transformação em insumo orgânico, o pesquisador da Embrapa Solos. Caio de Teves Inácio, explica que esses materiais orgânicos passam pelo processo de compostagem. "Este processo é aeróbico e termofílico e, por isso, emite 90% menos gases de efeito estufa (metano e óxido nitroso) que os processos de tratamento anaeróbicos mais usados, por exemplo, as lagoas de esterco sumo ou os aterros para resíduos urbanos. Já existem projetos de créditos de carbono aprovados no IPCC baseados na tecnologia da compostagem de resíduos", explica Caio Teves.
A segunda situação é a aplicação do insumo orgânico no solo, Fertilizantes nitrogenados, como a uréia, são grandes fontes de óxido nitroso. Em teoria, quando se substitui parte dessa fonte de nitrogênio por um Insumo orgânico pode-se conseguir reduções nas emissões nocivas. Por outro lado, pondera Caio Inácio, estercos frescos e lodos de biodigestores anaeróbicos podem emitir grandes quantidades de gases de efeito estufa quando aplicados diretamente ao solo.
Quando esses materiais passam pela com pastagem o insumo se torna mais estabilizado e as emissões podem ser reduzidas. Outro efeito importante é a possibilidade de aumento de carbono no solo pelo uso de insumos orgânicos estabilizados
Como utilizar os insumos orgânicos
O insumo orgânico pode ser aplicado em superfície ou incorporado ao solo. Geralmente são aplicadas quantidades generosas de insumo orgânico, que podem variar de 5 a 20 toneladas por hectare, conforme as características do solo e da cultura. Insumos orgânicos liberam os nutrientes mais lentamente por isso precisam ser aplicados no preparo do solo, de preferência.
Mas, o pesquisador esclarece que existe uma categoria de fertilizantes organominerais com teores maiores de nutrientes. Nesses casos, as quantidades aplicadas são menores "É bom lembrar que toda adubação deve seguir recomendações técnicas", enfatiza.
Benefícios dos insumos orgânicos
O principal benefício ressaltado por Caio Inácio e resolver o grande problema ambiental, que e a destinação útil e correta dos resíduos orgânicos gerados na agropecuária e nas atividades agroindustnais, e mesmo nas atividades urbanas. "Precisamos lembrar que 50% do resíduo urbano é orgânico, e talvez metade possa ser separado na fonte e ser transformado em insumo orgânico via compostagem. As atividades agropecuária e agroindustrial crescem no Pais e vão gerar cada vez mais resíduos orgânicos que, quando não tratados e destinados corretamente, poluem a água, o solo e a atmosfera. Este é um problema bem conhecido aqui e no exterior", adverte o pesquisador.
Ainda segundo ele, outro benefício para a agricultura é reciclar nutrientes (NPK) e ser fonte de matéria orgânica. o que melhora muito as propriedades físicas do solo. Os compostos orgânicos também auxiliam na supressão de doenças de plantas que sobrevivem no solo e aumentam a retenção de água disponível para a planta. Solos arenosos e de baixa fertilidade são extremamente beneficiados.
Investimentos
Todo agricultor e pecuarista deveria aprender técnicas de compostagem para poder gerenciar corretamente e de forma benéfica os resíduos orgânicos gerados na propriedade rural, selam restos de culturas ou estercos animais, Isso auxiliará na reciclagem de nutrientes, diminuindo o uso de fertilizantes e/ou aumentando a produção.
Em alguns casos, como nas hortaliças, pode auxiliar na redução da ocorrência de doenças de plantas por reduzir as fontes de contaminação, ou seja, dos restos vegetais doentes.
Custo-benefício
A compastagem de resíduos orgânicos para produção de insumos orgânicos é, em geral, uma técnica de baixo custo e aprendizagem rápida, "Existem técnicas simples e eficazes, como a das leiras estáticas, que pode ser aplicada no nível da propriedade rural. Se o volume aumenta, pode-se precisar de tratores e trituradores, mas em geral são equipamentos disponíveis no meio rural", pontua Caio Inácio.
A Embrapa tem realizado pesquisas para otimizar o processo de compostagem com foco na conservação de nitrogênio, que pode ser perdido na produção do insumo orgânico, reduzindo seu valor. A Embrapa Solos, com participação da FAPERJ, recentemente montou um laboratório de biorreatores aeróblos e com controle de temperatura destinado a pesquisa de bancada em compostagem.
Outra linha promissora são as novas formulações de fertilizantes organominerais destinados à produção de grãos. São pesquisas em andamento dentro da RedeFert Brasil. Esta Rede, liderada pela Embrapa, estuda o uso eficiente dos fertilizantes identificando novas fontes de nutrientes e gerando novos fertilizantes para os solos tropicais brasileiros. As pesquisas incluem a quantificação de emissões de gases de efeito estufa com as novas tecnologias.
Revista Campo & Negócios
Abril de 2011
Pag. 06 e 07
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