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ENCONTRO POPULAR RE�NE ATINGIDOS PELAS MUDAN�AS CLIM�TICAS UM ANO AP�S A PASSAGEM DO FURAC�O CATARINA

Carolina Herrmann / POA/RS

Organiza��es n�o-governamentais e associa��es de munic�pios do sul de Santa Catarina realizaram em Ararangu�, nos dias 14 e 15 de abril, o 1o. Encontro da Regi�o Sul sobre fen�menos naturais, adversidades e mudan�as clim�ticas: suas causas, efeitos e necessidades de adapta��o`, motivados pelo marco de um ano da passagem do Furac�o Catarina.
O objetivo foi debater publicamente e esclarecer os cidad�os sobre as causas, impactos e formas de enfrentamento dos fen�menos clim�ticos extremos, os quais, de acordo com todas as previs�es, devem intensificar-se no quadro global de aquecimento do Planeta.
As pessoas do sul de Santa Catarina e do norte de Rio Grande do Sul guardam na mem�ria a madrugada entre os dias 27 e 28 de mar�o de 2004. Nesta madrugada, os moradores foram avisados pelas autoridades locais de que deveriam ficar em suas casas, porque um furac�o estava vindo.
As vers�es sobre a gravidade do fen�meno divergiam: uns diziam que seria um ciclone extra-tropical em alto-mar, fen�meno normal no Atl�ntico Sul e outros j� diziam que seria um furac�o que avan�aria sobre o litoral.
A sorte � que a passagem do mesmo foi durante a madrugada, e a popula��o estava em suas casas, evitando assim conseq��ncias mais graves. As pessoas que n�o tiveram acesso �s informa��es veiculadas pelos meios de comunica��o, ou destes receberam informa��es equivocadas, foram as mais afetadas pela passagem do primeiro furac�o da historia do Atl�ntico Sul e do Brasil.
O sul de Santa Catarina � marcado por fen�menos clim�ticos e desastres naturais, devido as caracter�sticas f�sicas e geogr�ficas de sua localidade. O ambiente da regi�o � tamb�m impactado pelas a��es antr�picas praticadas no local, destacando-se a minera��o e a gera��o de energia atrav�s de termoel�tricas baseadas em carv�o mineral e as monoculturas de arroz e fumo.
O furac�o, portanto, acentuou esta situa��o de fragilidade da regi�o, e principalmente da comunidade carente ali residente. A sra.Terezinha da Rocha Quirino declarou em seu depoimento no 1o. Encontro da Regi�o Sul sobre fen�menos naturais, adversidades e mudan�as clim�ticas: "At� a hora em que eu estava consciente o Furac�o foi terr�vel, n�o tinha explica��o um vento t�o forte. A gente n�o sabia o que ia acontecer. Est�vamos trabalhando o dia inteiro na ro�a, e n�o t�nhamos tempo de ouvir a televis�o ou o r�dio.
Quando chegamos em casa j� era noite, ouvimos o Jornal Nacional que deu a entender que n�o tinha perigo.(...) Ca�ram 2 �rvores encima da nossa casa, e sa�mos correndo para a casa da vizinha. Na hora em que o vento parou, voltamos para casa para buscar roupa de cama e agasalho.A �rvore que estava encima da casa, com o vento que voltou, caiu encima do carro e matou o meu marido. A partir da�, eu n�o vi mais nada porque desmaiei." O Encontro buscou abrir os olhos dos participantes para as rela��es que existem entre os problemas locais e as mudan�as clim�ticas que v�m ocorrendo no cen�rio global. Estes problemas v�m se entrela�ando mais e mais � medida que o homem vai intensificando as suas a��es na natureza de forma insustent�vel e esta j� n�o consegue mais absorver os impactos ambientais que tais a��es ocasionam.
Os temas s�o ainda bastante recentes e complexos, contudo houve uma grande participa��o dos afetados e de educadores. A presen�a de professores do ensino m�dio, liberados pelas redes estadual e municipais de ensino, conferiu um grau maior de import�ncia ao evento, haja visto o que isto resultar� em termos de educa��o ambiental para crian�as e adolescentes e de difus�o para toda a popula��o.
Os afetados, como Dona Terezinha, tiveram espa�o no Encontro, descreveram como foi a passagem do Furac�o, seus preju�zos, e demonstraram a necessidade de informa��o sobre o que aconteceu e de como agir nestas situa��es de eventos extremos, demandando que esta seja uma informa��o acess�vel � comunidade carente - os mais afetados pelas mudan�as clim�ticas.
A presen�a e as valiosas informa��es prestadas pela Defesa Civil foram uma forma de capacita��o da comunidade para o enfrentamento das adversidades clim�ticas.
Os cidad�os solicitaram que o tema seja abordado e aprofundado nos munic�pios vizinhos, que haja audi�ncias p�blicas, ou seja, que o tema continue a ser discutido com a participa��o dos atingidos e de toda a comunidade. Com isto se notou a import�ncia da discuss�o sobre os temas de adapta��o �s mudan�as clim�ticas, mitiga��o dos impactos e alternativas de preven��o.
O evento teve a presen�a de mais de 700 participantes, cidad�o comuns, numa cidade situada longe dos centros urbanos, onde os moradores atingidos pelas mudan�as clim�ticas se reconheceram enquanto tal, refletindo sobre as suas condi��es de vulnerabilidade. Este foi o in�cio da conscientiza��o de um problema global e uma oportunidade de reflex�o e busca de solu��es �s quest�es ambientais locais.

ARARANGU�, SC - 17/04/2005:
CONTATOS:
Carolina Herrmann N�cleo Amigos da Terra / Brasil (Porto Alegre) - (51) 8146 0367
Tadeu Santos S�cios da Natureza (Ararangu�) - (48) 9954 5445 / 5221818
Mayron Regis GT Energia do FBOMS - (91) 3248 0495





 
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