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URBANISMO

Estatuto das Cidades faz um ano sem sair do papel
A��o de usucapi�o coletivo na Capital pode ser primeira do tipo no pa�s

DULCI EMERIM

            Um ano ap�s o Estatuto das Cidades ser sancionado pelo presidente da Rep�blica, a Procuradoria-geral do Munic�pio (PGM) de Porto Alegre prepara uma a��o de usucapi�o coletivo para regularizar uma �rea ocupada de forma irregular.

            Prevista no estatuto, a a��o pode ser a primeira do tipo a ser ajuizada no Brasil. At� agora pouco foi feito no pa�s para que a lei saia do papel.

            De acordo com a assessoria da PGM, a vila a ser beneficiada n�o pode ser identificada para n�o alertar os propriet�rios da �rea, que poderiam dificultar o processo caso n�o concordassem em perder a posse da terra.

            Segundo a assessora jur�dica do gabinete do prefeito da Capital, Maria Etelvina Guimar�es, Porto Alegre tem um dos planos diretores mais adequados �s regras do estatuto em todo o pa�s. As adapta��es necess�rias ter�o de ser analisadas com cautela, porque mexem com a vida de todos os habitantes da cidade.

            � O estudo de impacto de vizinhan�a � um instrumento que traz conceitos novos. Sua elabora��o vai requerer muita discuss�o � diz Maria Etelvina.

            Para o presidente da Confedera��o Nacional dos Munic�pios (CNM), Paulo Ziulkoski, ainda h� um longo caminho at� a implanta��o do estatuto em todo o pa�s. Desde 10 de outubro de 2001, data em que as regras do estatuto entraram em vigor, os munic�pios t�m, no m�ximo, cinco anos para adaptar sua legisla��o.

            � O estatuto foi lan�ado como se fosse uma panac�ia. � uma lei complexa que mexe com toda a estrutura dos munic�pios. Vai demandar muito mais do que cinco anos para ser implantada � prev� Ziulkoski.

            O Estatuto da Cidade tramitou durante 12 anos no Congresso at� ser sancionado pelo presidente Fernando Henrique. Mesmo assim, a demora n�o garantiu seu reconhecimento, entre peritos em legisla��o e urbanistas, como instrumento eficaz de regulariza��o de �reas urbanas ocupadas.

            No interior do Estado, Santo �ngelo foi um dos primeiros munic�pios ga�chos a criarem uma comiss�o municipal encarregada do estudo da lei. Um projeto de lei, aprovado pela C�mara Municipal em 2001, estipulou o prazo de tr�s anos para a reavalia��o da legisla��o, ou seja, a adapta��o do Plano Diretor, da Lei do Uso do Solo e dos c�digos de Obras e Postura ao estatuto.

            O arquiteto Paulo Tissot, presidente da comiss�o, diz que o grupo, composto por sete pessoas, inicia um trabalhos de divulga��o do estatuto na comunidade:

            � O estatuto ainda � desconhecido. Vejo o instrumento como uma obra de arte, um sonho que n�o depende s� de n�s para ser realizado.

AS PRINCIPAIS DIRETRIZES, DOZE MESES DEPOIS
Usucapi�o coletivo
� O que � � Tem o objetivo de legalizar grandes �reas ocupadas de forma irregular. Pode ser utilizado em �reas urbanas com mais de 250 metros quadrados, ocupadas por popula��o de baixa renda que more no local h� cinco anos ininterruptos e sem oposi��o, como � o caso da maioria das vilas e favelas em situa��o irregular. A��es de usucapi�o coletivo diminuiriam o volume de processos no Judici�rio.
� Como ficou � N�o h� not�cia de a��o coletiva no Tribunal de Justi�a do Estado (TJ), que recebeu 221 pedidos de usucapi�o registrados neste ano. A prefeitura da Capital prepara aquela que seria a primeira no pa�s.
Plano diretor
� O que � � O estatuto torna obrigat�rio um plano b�sico para cidades com mais de 20 mil habitantes. O plano diretor precisa ser revisto a cada 10 anos. Cidades com mais de 500 mil habitantes dever�o ter um plano de transporte urbano integrado. Os munic�pios que ainda n�o t�m plano diretor t�m cinco anos para institu�-lo, a partir outubro de 2001.
Como ficou � Quando a lei foi sancionada, a maioria dos munic�pios ga�chos com o perfil descrito no estatuto j� tinha plano diretor. Todos ter�o de fazer adapta��es. Alguns, como Porto Alegre e Santo �ngelo, preparam projetos de lei com essa finalidade.
Impacto de Vizinhan�a

� O que � � Instrumento para vetar a constru��o de obras que tragam preju�zos � qualidade de vida. No estudo, devem constar avalia��o de adensamento populacional, necessidade de equipamentos urbanos e comunit�rios, uso e ocupa��o do solo, valoriza��o imobili�ria, gera��o de tr�fego e demanda por transporte p�blico, ventila��o e ilumina��o, paisagem urbana e patrim�nio natural e cultural.
Como ficou � De acordo com a Confedera��o Nacional de Munic�pios, nenhuma cidade brasileira apresentou projeto para a implanta��o do Estudo de Impacto de Vizinhan�a at� agora. Poucos estariam discutindo o assunto.
IPTU Progressivo no Tempo
� O que � � Norma que pode ser usada para coibir a especula��o imobili�ria. Permite o aumento da al�quota do IPTU sobre vazios urbanos e im�veis sem utiliza��o ou considerados subutilizados (pr�dios inacabados). Caso n�o haja ocupa��o, passa a incidir sobre o im�vel o IPTU progressivo, com aumento da al�quota por cinco anos, com limite m�ximo de 15% ao ano sobre o valor do im�vel, at� o teto de 75% em cinco anos. Se a obra n�o for conclu�da, o munic�pio poder� desapropriar o im�vel.
� Como ficou � De acordo com a Confedera��o Nacional de Munic�pios, o IPTU progressivo previsto pelo estatuto n�o foi implantado em nenhum munic�pio brasileiro.
 




 
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