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ENERGIA

Uso de lâmpadas fluorescentes requer cuidados
Mercúrio presente no interior dos produtos oferece riscos à saúde, no caso de quebra e manipulação inadequada

PEDRO DIAS LOPES

            Desde que o governo anunciou o plano de medidas para tentar evitar o racionamento de energia, em abril, aumentou a procura por lâmpadas fluorescentes – mais econômicas que as incandescentes.

            As fluorescentes necessitam de cuidados no manuseio, pois são lâmpadas de descarga de vapor de mercúrio, substância tóxica à saúde humana e ao ambiente.

            O médico do trabalho do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre Dirceu Rodrigues afirma que o número de atendimentos em conseqüência de acidentes com lâmpadas fluorescentes é insignificante até o momento.

            Enquanto permanece intacta, a lâmpada não apresenta perigo, mas se o vidro se romper, o mercúrio existente no interior é liberado sob a forma de vapor, por um período de tempo variável de acordo com a temperatura.

            – Alguns dos sintomas verificados em casos de intoxicação sistêmica por mercúrio são dores no corpo e falta de ar – explica Rodrigues.

            O médico explica no entanto que esse quadro se refere a casos de pessoas que trabalham na fabricação de produtos que usam mercúrio e que mantêm contato freqüente com aquele metal. Como a quantidade de mercúrio presente nas lâmpadas é pequena, se a manipulação direta com o material for evitada (veja o quadro) a possibilidade de danos à saúde se torna pequena.

            Para jogar fora o vidro quebrado das lâmpadas e impedir a contaminação do ambiente são necessárias algumas precauções. Segundo o médico do Centro de Informações Toxicológicas do Estado, João Batista Torres, quem coletar os cacos não deve manipulá-los diretamente. O local deve ser bem limpo e aspirado e os detritos colocados em separado em um recipiente fechado.

            – É preciso etiquetar o recipiente como “lixo especial” para que as cooperativas coletoras saibam que se trata de material tóxico – recomenda Torres.

SAIBA MAIS
O funcionamento e a vida útil das fluorescentes, segundo a luminotécnica Sandra Thomé:
• As fluorescentes – tubulares ou compactas – são lâmpadas de descarga de vapor de mercúrio em baixa pressão. A passagem de corrente elétrica gera uma radiação ultra-violeta. O pó fluorescente que reveste a superfície interna do tubo converte essa radiação ultravioleta em luz visível. É da composição desse pó fluorescente que resultam as alternativas de cor de luz.
• O número de acendimentos em todas as lâmpadas de descarga, incluindo-se as fluorescentes tubulares, compactas, de vapor de mercúrio ou de vapor de sódio, influencia a vida útil das lâmpadas. Os fabricantes consideram, no cálculo de vida útil das lâmpadas, que elas sejam mantidas acesas por no mínimo duas horas e 45 minutos. Se o usuário se ausentar do ambiente por mais de 15 minutos, vale a pena desligar a lâmpada. Vida útil: 7,5 mil horas as tubulares e 10 mil a 15 mil horas as compactas.
• A coleta e o armazenamento, de acordo com a Apliquim, companhia especializada em engenharia ambiental, licenciada pela Companhia de Tecnologia Ambiental do Estado de São Paulo:
• O impacto sobre o ambiente, causado por uma única lâmpada, pode ser considerado desprezível, mas o somatório das lâmpadas descartadas anualmente no Brasil (cerca de 40 milhões) pode acarretar danos ambientais sobre os locais onde forem depositadas.
• Manuseio: Enquanto intacta, a lâmpada não oferece risco. Quando se rompe uma fluorescente, o mercúrio existente em seu interior é liberado sob a forma de vapor, por tempo variável conforme a temperatura, o que pode se estender por várias semanas. Além das fluorescentes, também contêm mercúrio as lâmpadas de vapor de mercúrio propriamente ditas, as de vapor de sódio e as de luz mista.
• No contato com lâmpadas quebradas é necessário o uso de avental, luvas e botas plásticas. Quando houver quebra acidental de uma lâmpada, o local deve ser bem limpo por aspiração. Os cacos devem ser coletados de forma a não ferir quem os manipula e colocados em embalagem estanque, com possibilidade de ser lacrada, a fim de evitar a contínua evaporação do mercúrio liberado.
• Limites de tolerância biológica: a legislação brasileira, contida nas normas regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho, e a Organização Mundial de Saúde estabelecem igualmente como limite de tolerância biológica para o ser humano a taxa de 33 microgramas de mercúrio por grama de creatinina urinária e de 0,04 miligramas por metro cúbico de ar no ambiente de trabalho. Uma fluorescente contém 20 miligramas de mercúrio, em média. A contaminação depende do nível de contato com o material.
• Armazenamento: é recomendável que as lâmpadas a descartar sejam armazenadas em local seco, nas próprias caixas de embalagem original, protegidas contra eventuais choques que possam provocar sua ruptura. Essas caixas devem ser identificadas para não serem confundidas com caixas de lâmpadas novas. Em nenhuma hipótese as lâmpadas devem ser quebradas para ser armazenadas, pois essa operação é de risco para o operador e acarreta a contaminação do local. As lâmpadas que se quebrarem acidentalmente deverão ser separadas das demais e acondicionadas em recipiente hermético como, por exemplo, um tambor de aço com tampa em boas condições, que possibilite uma vedação adequada.

 

Zero Hora
02 de julho de 2001

     
 
 
  

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