Foi uma
sorte que o engenheiro, arquiteto, desenhista e
aquarelista alem�o Jos� Lutzenberger tenha decidido
permanecer no Rio Grande do Sul depois de aqui trabalhar
por alguns anos. Gra�as a isso, ganhamos n�o apenas
alguns pr�dios significativos em Porto Alegre como tamb�m
uma bela cr�nica da vida ga�cha sob a forma de imagens.
Para n�o falar, � claro, nos seus filhos, dentre os
quais adquiriu maior fama o pioneiro do movimento ecol�gico
conhecido pelo mesmo nome do pai.
Expostos
atualmente no Margs, os desenhos, esbo�os e aquarelas de
Jos� Lutzenberger retratam aspectos da vida cotidiana do
Estado e ilustram momentos hist�ricos importantes do Rio
Grande, como a Guerra dos Farrapos. Dono de extraordin�ria
capacidade de observa��o e de um estilo realista e
detalhado, ele deixou um legado representativo n�o apenas
pela beleza da forma mas tamb�m como fonte de informa��o
visual sobre os h�bitos e costumes do Rio Grande da
primeira metade do s�culo 20. Provavelmente facilitaram a
adapta��o do arquiteto b�varo ao nosso meio tanto a
situa��o dif�cil da Alemanha na �poca quanto a exist�ncia
aqui de uma col�nia germ�nica numerosa e extremamente
ativa, que alcan�ava posi��es de destaque no com�rcio,
na ind�stria e na constru��o civil.
Lutzenberger
est� para o Rio Grande
assim como Norman Rockwell est� para
os EUA e Larsson para a Su�cia
N�o
tem pre�o o trabalho dos artistas que se dedicam a criar
cenas da vida de uma determinada regi�o ou pa�s com base
em elementos fielmente destacados da realidade. De certa
forma, constr�em eles uma obra mais representativa do esp�rito
de uma �poca e de um lugar do que os fot�grafos, pois
colocam em primeiro plano detalhes e aspectos que via de
regra se perdem nos instant�neos captados pelas lentes.
Quem foi guri em outros tempos, mesmo fora dos EUA, n�o
deixar� de se reconhecer nas cenas em que Rockwell
retrata as pescarias e os banhos de rio no ver�o. Poucos
deixar�o de se comover ao relembrar o improvisado cani�o
de taquara e a lata de conserva cheia de minhocas
destacados pelo artista. Momentos similares da vida dom�stica
foram fixados com igual talento por Carl Larsson na Su�cia
de fins do s�culo 19 e in�cio do 20.
Embora
de origem estrangeira, Lutzenberger est� para a vida
rio-grandense assim como Norman Rockwell est� para a
norte-americana e Carl Larsson para a sueca.
Utilizando-se, como o sueco e o americano, do desenho e da
aquarela, t�cnicas mais r�pidas e mais adequadas �
reprodu��o gr�fica, o engenheiro alem�o se deixou
sensibilizar pelo cotidiano da Capital e do interior do
Rio Grande da �poca em que aqui viveu, entre 1920 e 1951.
Al�m das pe�as em cores, s�o impressionantes pela
qualidade t�cnica e riqueza de detalhes as cole��es de
estampas em preto e branco que produziu sobre a atividade
do ga�cho, do caixeiro-viajante e do colono.
A arte
de Lutzenberger � obra de um cronista de raro talento.
Ele produziu um registro que dificilmente outro artista,
que n�o um europeu educado em padr�es mais refinados,
teria sido capaz de realizar por aqui.