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Aline Ribeiro
23.12.2005
......Seis das 25
unidades de conservação do estado
de São Paulo serão revitalizadas
durante os próximos quatro anos. Trata-se
do Projeto de Desenvolvimento do Ecoturismo na
Região da Mata Atlântica, que visa
incentivar a visitação nos parques
de Carlos Botelho, Ilha do Cardoso, Intervales,
Turístico do Alto Ribeira (Petar) e Jacupiranga
(todos no Vale do Ribeira); e o Parque Estadual
de Ilhabela, no litoral norte. Localizadas em
duas importantes regiões de conservação
da Mata Atlântica, as unidades foram escolhidas
por terem grandes concentrações
de visitantes anualmente. Como esses são
os parques mais procurados, as ações
têm de ser emergenciais. Sem infra-estrutura
adequada, os visitantes e a biodiversidade correm
riscos, destaca o biólogo Sérgio
Salazar Salvati, coordenador do projeto. (foto
Petar)
......Este é
o maior plano de visitação pública
feito no Brasil até hoje e vem sendo planejado
desde o início do ano. Em fevereiro,
quando integrei o grupo, o projeto já estava
muito bem desenhado. Foi só acrescentar
alguns detalhes, revela Salvati. Ele compara
a capacidade de visitação atual
desses parques uma média de 30 mil
pessoas ao ano - com a do Parque Nacional do Iguaçu,
que só em 2005 já recebeu mais de
um milhão de turistas. Assim como
o temos como referência, o projeto pode
virar modelo para as outras unidades de conservação
do estado.
......O plano,
uma parceria da Secretaria de Estado do Meio Ambiente
(SMA) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), inicialmente beneficiaria cerca de 10 unidades
de conservação. Mas o limite de
endividamento do governo do estado não
permitiu. Os 50 milhões de dólares
de empréstimo previstos no começo
do projeto foram reduzidos para 9 milhões
de dólares. Com a contrapartida de 6 milhões
da SMA, o total destinado às ações
de melhoria vai somar 15 milhões. O
banco já aprovou o empréstimo, mas
o projeto só será assinado em março,
por razões burocráticas, informa
o coordenador.
......Mesmo sem
a assinatura oficial, uma das obras previstas
no projeto já está em andamento.
É a revitalização do prédio
que abrigava a antiga cadeia e fórum de
Ilhabela. Localizada no centro da cidade, a edificação
será transformada em sede da unidade de
conservação. A escolha do lugar
foi proposital. A intenção
é chamar a atenção dos visitantes,
que muitas vezes nem sabem da existência
do parque, diz Salvati. O centro vai ter
loja, lanchonete, auditório e um local
para exposições. O início
das obras foi possível porque, para a reestruturação
do prédio, serão utilizados apenas
os recursos da contrapartida do estado, que já
estão disponíveis. (foto Ilhabela)
......Outras duas
obras de melhoria das unidades de conservação
estão em processo licitatório. Uma
é a construção de um centro
de visitantes e um mirante no núcleo Santana
do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira.
A segunda diz respeito à revitalização
do Núcleo da Caverna do Diabo, em Jacupiranga.
Ambas as obras estão aguardando a autorização
do BID para serem iniciadas e devem entrar em
execução no primeiro semestre do
próximo ano.
Divisão
......As ações
previstas no projeto, divididas em três
diferentes fases, serão concluídas
num período de quatro anos. A primeira
se resume na viabilização de infra-estrutura
adequada para os parques e irá consumir
quase 75% do montante disponível. Além
da construção de escadas, guarda-corpos,
corrimões e trilhas, inclusive para arvorismo,
a etapa inicial prevê a instalação
de meios de hospedagem como eco-lodges, alojamentos
para grupos, camping e turismo com enfoque comunitário.
A sinalização das estradas de acesso,
a identidade visual das unidades de conservação,
a criação de portais na internet
e a estruturação dos atrativos turísticos
(cavernas, equipamentos de lazer, mirantes) também
integram a primeira fase.
......A segunda
etapa consiste em organizar e consolidar o produto
turístico na área de influência
do projeto. Isso significa sensibilizar as comunidades
do entorno para a questão ambiental, além
de capacitá-las para a prestação
de serviços turísticos dentro do
parque. É um dos nossos maiores desafios.
Precisamos estar em harmonia com as populações
locais, para que elas se envolvam de forma efetiva
com as unidades, aponta Salvati. A terceira
fase não é menos estimulante, já
que prevê o fortalecimento da gestão
pública para o ecoturismo. Pretendemos
organizar a administração das unidades
de conservação e capacitar os empreendedores
e gestores.
A biodiversidade dos parques agradece.