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PERFIL


O cidadão
Antônio Rogério



Aos 36 anos de idade, engenheiro sanitarista
Formado pela Universidade Federal de Santa
Catarina, Antônio Rogério da Silva Inácio é Diretor da ABES nacional e representante da entidade no Conama e na SBPC/SC.
Diretor da Ambiental Consultoria e Planejamento Ltda., vice-presidente da Associação Catarinense de Empresas de Engenahria Consultiva, Antônio Rogério é um cidadão preocupado em pensar a questão ambiental de forma global, destacando o papel que a ABES representa e pode representar no Brasil e mesmo no âmbito internacional.



 


Qual a abordagem da Direção Nacional da ABES da problemática no Brasil?

Historicamente, a ABES vem desempenhando um papel profissional diretamente inserido na problemática sócio-ambiental. Porém, com enfoque meramente técnico, setorial, unidimensional. A revista BIO e o IV Silubesa são marcos de uma ampliação de horizontes, no sentido de suprir o enfoque setorial. Resta perguntar-nos qual é a estratégia a seguir, ou seja, como implementar uma estratégia transetorial.
Nós entendemos que é preciso estimular a transetorialidade interna e externa a ABES. Quanto à primeira, é sabido que existem pessoas envolvidas com questões sócio-ambientais em vários setores internos da ABES. Estas pessoas precisam aproximar-se e, assim, delimitar um espaço para elaboração de propostas para ação da própria ABES. Nesse sentido, é preciso destacar a reativação do Comitê de Ecologia e Meio Ambiente apartir do IV Silubesa. Quanto a transetorialidade externa, abe destacar a conjuntura política internacional e a realização da Conferência da ONU sobre ambiente e desenvolvimento. Eu acredito, e tenho trabalhado nesse sentido, que cabe a ABES um papel de entidade catalizadora, aproximadora de muitos setores ambientalistas. Entre estes setores estão pelo menos dez já estudados sociologicamente, no Brasil, por Viola e Boeira em trabalho publicado há dois anos. É preciso lembrar aqui que para este fim, a Diretoria da ABES designou o Comitê ECO92. Eu entendo que tanto a transetorialidade interna quanto a externa devem desembocar num projeto da sociedade ecológica, econômica, cultural e politicamente sustentável.

O setor ambientalista vive momentos de expectativa diante dessa conferência da ONU aqui, no Brasil, no Rio de Janeiro em 1992. Como deve se desenvolver esse papel da ABES?

O que é possível adiantar, por enquanto, é que a estratégia transetorial da ABES implicará na busca aproximação horizontal dos setores governamentais e não governamentais, por um lado. Por outro lado, implicará na ampliação de horizontes transnacionais, no sentido de consciência e cidadania planetária. A Abes aliás, tem uma rica experiência de intercâmbio internacional.
Com o conteúdo dessa estratégia transetorial, a Diretoria da ABES destaca a necessidade de elevar-se o nível de consciência do cidadão do chamado Primeiro Mundo em relação à problemática sócio-ambiental dos ecossistemas rurais e urbanos no Brasil e também elevar o nível de consciência do cidadão brasileiro em relação à problemática sócio-ambiental dos ecossistemas naturais , tanto no Brasil como no resto do mundo.

Qual é sua visão da questão técnico-científica nos temas ambientalistas?

Eu entendo que cabe à Diretoria da ABES o papel de um segmento da sociedade civil capaz de cobrar realismo, ética e responsabilidade da comunidade científica em geral. E, em particular, cobrar dos cientistas ambientalistas respostas sócio-ambientais de médio e longo prazo, além de um acompanhamento e de suporte teórico para as decisões de curto prazo tomadas pela ABES. Em resumo, cabe à ABES estimular a politização dos debates epistemológicos suscitados pela problemática ambiental.

Qual a sua visão da questão ambiental e do saneamento básico na perspectiva dos novos governadores?

Em primeiro lugar, é preciso que os novos governadores trabalhem no sentido da regulamentação e implantação das constituições estaduais, particularmente dos capítulos de meio ambiente, saúde e educação. Em segundo lugar, e paralelamente, é preciso que os governadores adotem uma postura aberta, de horizontalidade política, em relação aos movimentos sociais aos cidadãos, de modo geral. A co-responsabilidade e a descentralização do poder, através da democracia participativa, é a única garantia da continuidade dos projetos sócio-ambientais, diante da crise de governabilidade ¾ falta de recursos financeiros, fragilidade institucional da democracia, falta de credibilidade, etc.

Qual é hoje a situação ambiental e do saneamento no seu estado?

Em Santa Catarina ocorrem muitos problemas semelhantes a outros estados. Mas o que se destaca é a problemática sócio-ambiental da região carbonífera. Este é, alias, um problema de tema apropriado para a Conferência da ONU, por que a região Sul de Santa Catarina tem gerado benefícios e desenvolvimento a outras regiões, enquanto sofre os malefícios do modelo de desenvolvimento do Ocidente capitalista.

Jornal da ABES - 1991
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental


Entrevista - Jornal do Crea - 1986
Revista Bio - ANO V - Nº 3 - MAI JUN 1993

Revista Expresso - Junho/93

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